America the Beautiful: Everglades, Yosemite, Grand Canyon e Bryce National Parks

Existem mundos naturais absolutamente deslumbrante ocultos na vastidão do território norte-americano. Fomos à descoberta de lugares únicos, de paisagens invulgares que, por caminhos tortuosos, nos transportaram para outras dimensões.

Comprámos o Passe Anual America the Beautiful que dá acesso durante um ano a todos os Parques Nacionais nos E.U.A e fomos explorar.

  • Os Everglades

A paisagem dos Everglades é extremamente diversificada. Enormes extensões de água pantanosa interrompida ora por tapetes de nenúfares ora por árvores decrépitas cuja decomposição cria um emaranhado de teias de madeira que nos aprisiona. É o habitat de muitas espécies selvagens, algumas das quais únicas naquele lugar. Cruzámos-nos com um alligator que dormitava pacificamente, com uma tartaruga que atravessava apressadamente a estrada, com gafanhotos laranja às pintas pretas que namoravam indiferentes à nossa passagem e observámos manatins a alimentarem-se vorazmente qual lutadores de sumo dentro de água. Perdemos-nos num labirinto de árvores cujos ramos se entrelaçavam num abraço que se eterniza.

Everglades

Everglades tree maze

  • Yosemite

A imponência das formações rochosas de Yosemite fazem-nos viajar no espaço e imaginar que caminhamos numa paisagem lunar. Só o verde da vegetação que salpica a imensidão das aglomerações de granito nos trás de volta à Terra. É uma visão atordoante, que nos deixa incrédulos momentaneamente. A Half Dome, com a sua curva que parece esculpida a cinzel, enche-nos o olho e torna-nos reféns. É impossível desviar a atenção daquele monumento natural e da cascata de água (Bridaveil – véu de noiva) que irrompe ali perto, desbravando a pedra dura e precipitando-se vertiginosamente no solo.

O parque oferece vários trilhos para caminhadas que incluem nos percursos vistas idílicas das inúmeras cascatas que tornaram este destino famoso. Realizar estas longas caminhadas com crianças pequenas é um desafio gigantesco. As nossas meninas conseguiram completar um pequeno mas exigente percurso e voltaram radiantes com fotografias magníficas que conseguiram captar de um arco-íris a sorrir para uma cascata.

Yosemite alberga também várias sequoias-gigantes. Estas árvores de troncos frondosos e de tonalidade avermelhada parecem querer tocar o céu indiferentes à passagem dos anos. Aprendemos a importância dos fogos naturais como garantia de sobrevivência destas árvores destruindo outras espécies e facilitando a germinação das sementes. Atravessámos inclusive o tronco de uma sequoia-gigante que forma um túnel (onde podia passar um carro!). Curiosamente a árvore continua viva e é possível ver a seiva vermelha correr na madeira.

Yosemite Half Dome

Giant Sequoia

  • Grand Canyon

É um privilégio poder estar num local como o Grand Canyon. Um lugar que nos leva numa viagem à origens da Terra, há mais de 3720 milhões de anos atrás. Este legado geológico formado a partir do choque das placas tectónicas e da acumulação de camadas rochosas diversas esculpidas no processo de erosão pelo rio Colorado oferecem uma janela temporal que nos permite revisitar os primórdios do nosso planeta.

O rio Colorado serpenteia o desfiladeiro interminável arrastando os sedimentos e adquirindo o mesmo tom das rochas que o envolvem numa metamorfose que o torna quase imperceptível.

Na nossa opinião, as melhores vistas desta maravilha não se encontram dentro do parque natural mas sim na estrada cénica que liga a entrada Sul à entrada Norte. É preciso olhar de longe para se poder percepcionar a imensidão deste fenómeno da natureza.

Grand Canyon Duck on a Rock

  • Bryce

A cor vermelha do solo trabalhado com detalhes de requinte em pináculos que se elevam a mais de 2000 metros de altura definem esta paisagem. Se em Yosemite viajámos até à Lua, em Bryce chegámos a Marte. É um cenário de cortar a respiração.

As forças do vento e da água trabalham ininterruptamente como escultores excepcionais, erguendo castelos de contos de fadas, criando pontes e torres e outras edificações de uma beleza incontornável. É uma paisagem em constante mutação.

As árvores que procuram a luz erguem-se gigantes no meio dos desfiladeiros. Um curso de água vagueia na terra árida. Apenas resiste uma cascata deslumbrante na sombra das montanhas escarlate.

Bryce – Navajo Trail

É difícil encontrar palavras para descrever tanta beleza. E nem as fotos fazem jus a estes lugares. Recordam-nos da força da Natureza e da insignificância do ser humano.

“The Earth does not belong to us: we belong to the Earth”

Marlee Matlin

 

Walt Disney World – o mundo mágico onde a imaginação não conhece limites

Mickey says welcome to Walt Disney World

A Walt Disney World (WDW) é um culto de miúdos e graúdos onde pelo menos uma vez na vida deveríamos ir em peregrinação. Não há palavras suficientes para descrever este lugar mágico e único que nasceu da imaginação de um génio criativo que inspirou gerações e cuja influência continua a alimentar os sonhos daqueles que não acreditam em impossíveis.

A WDW em Orlando tem 4 parques temáticos:

  • Magic Kingdom
  • Animal Kingdom
  • Epcot
  • Hollywood Studios

e dois parques aquáticos:

  • Blizzard Beach
  • Typhoon Lagoon

Contudo, tal como em qualquer história de encantar, existe um vilão. O preço a pagar para entrar nestes mundos de fantasia é bastante elevado. Depois de muita pesquisa optámos por adquirir os bilhetes através do website da WDW do Reino Unido. É preciso pagar em Libras Esterlinas de forma a poder usufruir das promoções especiais que são feitas para este país em particular: http://www.disneyholidays.co.uk/walt-disney-world/ (mais uma vez usámos o nosso cartão da Revolut para evitar custos cambiais)

A WDW criou uma complexa rede de transportes gratuita (barco, comboio – monorail, autocarros, etc.) que servem não só os parques mas também uma série de resorts temáticos. Para quem fica alojado nesta estâncias (que infelizmente não foi o nosso caso devido a restrições orçamentais), garante um acesso privilegiado ao sistema de Fast Pass. Os Fast Pass são limitados e consistem na possibilidade de agendar o acesso a algumas atrações com um tempo mínimo de espera.

Organizar uma visita à Walt Disney World é um enorme desafio. Para conseguir ter alguma tranquilidade recomendo pelo menos 7 dias – 2 dias para o Magic Kingdom e 1 dia para todos os outros.

Existe uma ampla oferta de comes e bebes para todos os bolsos, contudo o nosso objetivo era controlar os gastos, tendo em conta a enorme despesa com os ingressos do parque. Assim, conseguimos durante uma semana levar para os parques nas nossas lancheiras 3 refeições diárias (almoço, lanche e jantar) para 5 pessoas! Sim…é possível 🙂

Cada parque tem a sua magia, mas o Animal Kingdom é a casa do planeta Pandora onde podemos montar num Banshee. Para quem viu o filme Avatar, esta terminologia soa certamente a familiar. O Flight of Passage é, sem sombra de dúvida, uma das melhores experiências que já tivemos. Da primeira vez esperámos mais de duas horas na fila debaixo de um sol abrasador envoltos na deslumbrante paisagem do planeta Pandora. E voltámos para repetir!

PANDORA

Outro dos momentos altos foi o Jedi Training. Os nossos filhos são absolutamente fascinados pelo Star Wars e poder defrontar o temível Darth Vader empunhando um sabre de luz e envergando a túnica Jedi foi um sonho realizado. Ainda puderam assistir a vários shows (como este) envolvendo as suas personagens favoritas como a Ray, Chewbacca, Darth Maul, Kylo Ren, R2-D2 e muitos outros! Seguiram-se sessões de fotos com os vários heróis e anti-heróis. Por todo o lado se cruzavam com Strom Troopers que patrulhavam as ruas… Foi uma viagem incrível ao universo de Star Wars.

Fighting Darth Vader

No Walt Disney World é possível fazer um Safari nas planícies africanas, ver um aquário com tartarugas gigantes e leões marinhos, descer os rápidos de um rio, experimentar uma miríade de montanhas russas (que fizeram as delícias dos nossos pequenos), participar numa missão espacial a Marte (a sensação da força G deixa-nos completamente atordoados), descobrir mundos que pensávamos só existirem em sonhos…

Tudo é pensado até ao mínimo pormenor de forma a transfigurar a nossa realidade. Tornamo-nos realmente parte daqueles cenários que ganharam vida.

Mas a magia não estaria completa sem a possibilidade de conhecermos as personagens que fazem parte do nosso imaginário infantil. O rato que esteve na origem de tudo, as princesas, os heróis e os vilões.

Meet Mickey

Cada parque apresenta ao longo do dia vários shows, mas é à noite que o céu se ilumina com espetáculos de luzes e fogo como no fabuloso Happily Ever After do Magic Kingdom.

“It’s kind of fun to do the impossible”

Walt Disney

 

 

 

 

 

New York City: programa low-cost na Big Apple

New York City: nenhuma visita aos Estados Unidos fica completa sem sentir a claustrofobia hipnótica de Manhattan.

As classes endinheiradas e coquetes vivem lado a lado com comunidades negras e latinas que se refugiam nas zonas periféricas e comutam diariamente para o centro através da complexa rede de metro.

Foi numa dessas comunidades que nos fixámos: no Bronx. Apesar de usualmente associado a uma zona de criminalidade e violência, ao final de uma semana já nos sentíamos integrados. Na minha opinião, o Bronx “primeiro estranha-se e depois entranha-se”. É sem dúvida uma comunidade fechada em si mesma, predominantemente hispânica (pelo que facilmente comunicávamos em espanhol). Começámos a ter o nosso supermercado habitual, a frequentar o mesmo restaurante e até fomos à lavandaria! Nunca sentimos qualquer espécie de insegurança, contudo as ruas sujas e as habitações degradadas são a imagem deste bairro cuja localização privilegiada possibilita chegar ao centro de Manhattan em menos de 20 minutos.

Não é fácil explorar uma cidade como Nova Iorque “on a budget” pois é tudo caríssimo! Apenas andar é gratuito. 🙂 E foi isso que fizemos. Na verdade, esta é a melhor maneira de ficar a conhecer Manhattan.

Aliado a uma boa preparação física, organizar cada dia é essencial para evitar esbanjar uma fortuna.

Assim, estruturámos os nossos dias tendo em conta os dias gratuitos dos locais que queríamos visitar.

Dia 1 – No primeiro dia visitámos o imponente Empire State Building. A vista do topo é certamente magnífica, mas por 170 dólares (2 adultos e 3 crianças) preferimos continuar a caminhar. Há um sítio em particular que é de entrada obrigatória especialmente para famílias com crianças: o Intrepid. Para que não conhece, este porta-aviões da marinha americana (que celebra este ano o seu 75º aniversário) foi transformado no Museu do Mar, do Ar e do Espaço. A bordo pudemos entrar dentro de um submarino, ver o Shuttle Enterprise e até simular a sua aterragem, sentarmo-nos numa réplica de uma cápsula de acoplagem da Estação Espacial Internacional, colocar as mãos no leme do porta-aviões e descobrir como era a vida a bordo dos mais de 3000 homens que ali serviram. No Intrepid é também possível ver um exemplar do Concorde – o fatídico avião supersónico que fez o seu último voo para esta plataforma. Este incontornável museu não tem nenhum dia grátis, mas fizemos uso do desconto de 20% oferecido a todos os sócios do ACP (AAA nos EUA).

The Intrepid & Us

Corremos de seguida para o local onde dantes se encontravam as duas torres gémeas. Atualmente ergue-se o colossal One World Trade Centre. Mede 1776 feet. Este número não é um acaso, é também o ano da declaração de independência dos EUA. Queríamos ver o 9/11 Memorial Museum que é gratuito às terças-feiras entre as 17:00 e as 20:00. Sabíamos que os escassos bilhetes começavam a ser distribuídos às 16:00 mas como a visita ao Intrepid levou mais tempo que o previsto acabámos por perder esta oportunidade.

One World Trade Centre

One World Trade Centre

Dia 2 – O Zoo do Bronx é simplesmente magnífico e gratuito às quartas-feiras (contudo não dá acesso a todas as experiências – mas não sentimos que perdemos nada –  e pedem uma doação voluntária). Não tem o aspeto artificial e arquitetónico do Zoo de Lisboa. Quase sentimos que estamos imersos no habitat natural dos animais. Praticamente não existem jaulas nem grades. Pudemos observar muitas espécies pela primeira vez num ambiente de grande proximidade. A visita ao Zoo ocupou-nos praticamente todo o dia, mas quisemos ainda aproveitar o final de tarde para explorar o New York Botanical Garden ,que também às terças-feiras abre as suas portas com bilhete de oferta para várias zonas do jardim. As crianças adoraram brincar nos carreiros estreitos por entre a vegetação abundante, fazer construções na areia numa formação de lava vulcânica, pintar com água e aprender factos interessantes sobre as plantas.

Painting with water – NYC Botanical Garden

Dia 3 – O terceiro dia da nossa visita a NYC coincidiu com o oitavo aniversário da Marta. Reservámos este dia para apanhar o ferry de Staten Island. Este passeio de barco completamente gratuito em qualquer dia da semana leva-nos ao encontro da altiva senhora de verde que enche de esperança todos os corações: a Estátua da Liberdade. Não podemos desembarcar na Ellis Island, nem visitar o pedestal da estátua. Para os que já se imaginam a subir à coroa, aviso já que habitualmente é necessário reservar bilhete com cerca de seis meses de antecedência. Ficámos-nos pelo deslumbrante encontro à distância.

Statue of Liberty – view from Staten Island Ferry

Seguimos para Chinatown para almoçar. No meu itinerário tinha previsto para esta tarde uma visita à New York City Public Library que também pode ser visitada gratuitamente, mas as minhas crianças preferiram ir à loja da Disney e da M&M’s. Terminámos o dia em Central Park a relaxar.

Dia 4 – Neste último dia precisámos de toda a manhã para organizar o passo seguinte da nossa viagem pelo que acabámos por não aproveitar da melhor forma, no entanto não dissemos adeus sem ir conhecer belíssima beleza arquitectónica da mítica estação de metro Grand Central Terminal.

Depois vimos uma vez mais os nossos planos serem alterados em virtude do cansaço das crianças (que caminharam estoicamente uma média de 14Km por dia). O fabuloso MOMA – Museu of Modern Art tem entrada livre às sextas-feiras entre as 16:00 e as 18:00. Não consegui arrastá-los para mais este périplo, mas fui brindada com a melhor das surpresas ao atravessar a rua e me deparar com uma exposição de Gustav Klimt na Neue Galerie – Museum for German and Austrian Art . O melhor de tudo: gratuito! Fiquei rendida…

Passámos o resto da tarde a explorar outra parte do Central Park. Nada melhor para despedida da cacofonia urbana de Nova Iorque do que olhar para os arranha-céus imersa na tranquilidade do pulmão da cidade.

Central Park

 

 

 

 

Boston: uma cidade histórica

Boston transpira a patriotismo americano. Exalta em cada canto o sangue e suor derramados durante a conquista da independência à coroa britânica.

Hesitámos em visitar pois estava um dia muito chuvoso mas ainda bem que fomos. Boston é realmente uma cidade que vale a pena.

Como tínhamos apenas um dia, optámos por fazer o chamado “Freedom Trail“.

Descobrimos edifícios, cemitérios e memoriais. Os grandes nomes da revolução americana ecoavam em cada esquina. A semente da revolta instigada por Paul Revere e Samuel Adams após o Massacre de Boston, germinou e cresceu. As treze colónias assinariam a sua Declaração de Independência.

Boston’s Massacre Memorial

O Freedom Trail culmina numa visita ao USS Constitution. O orgulho de um país recém-nascido que exibe a sua frota naval, desenvolvida em oposição ao invasor.

USS Constitution

Cada recanto de Boston reflete o seu caráter histórico. Para os entusiastas da memória do passado, é visita obrigatória.

Foi também nesta cidade que fomos pela primeira vez ao Hard Rock Cafe. Entre muitos artefactos, gostámos particularmente de ver o icónico espartilho de soutien cónico que pertenceu a Madonna, a guitarra do Richie Sambora dos Bon Jovi e o célebre fato usado frequentemente por Steven Tyler, vocalista dos Aerosmith.

Richie Sambora’s Guitar

A família que nos acolheu perto de Boston deixou-nos uma recomendação de um website muito interessante para quem gosta de explorar locais menos turísticos, com um cariz invulgar. Aqui fica a dica:  https://www.atlasobscura.com

Couchsurfing in Littleton

Foi uma visita curta, mas suficiente para nos deixar encantados.

 

Couchsurfing no Canadá: viver com os locais

Como pode uma família de 5 pessoas passar duas semanas no Canadá sem ter despesas com alojamento? 

Por muito estranho que possa parecer, é perfeitamente possível para qualquer família minimizar as suas despesas com alojamento em viagem recorrendo ao Couchsurfing.

O nosso projeto não seria viável sem esta comunidade à qual pertencemos há mais de 5 anos.

Durante todos estes anos recebemos em nossa casa pessoas vindas dos quatro cantos do mundo. Com elas partilhámos refeições, passeios, trocámos experiências e referências. Deixaram-nos mais ricos. 🙂

Aqueles que passam por nós não vão sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.

O Couchsurfing é muito mais que alojamento. É poder viver cada sítio através dos seus habitantes, conhecer os seus esconderijos secretos, descobrir outros paladares, outros costumes… Acabamos por ver e sentir a rotina diária de outros países, o pulsar do coração de cada local. Acumulamos experiências que nunca teríamos num quarto de hotel.

Obviamente que não é fácil acolher 5 pessoas. Tentámos contactar preferencialmente famílias com filhos, habituadas, supostamente, à confusão :). Em cada casa por onde passámos fomos recebidos com todo o carinho e proporcionaram-nos momentos inesquecíveis.

 

Preparing Corn

Para nós o Couchsurfing foi a resposta às nossas necessidades. Todos sabemos como os custos com alojamento representam uma fatia muito significativa do orçamento em viagem, ainda mais numa família numerosa. A maior parte dos hotéis não estão preparados para receber famílias com mais de dois filhos e obrigam à marcação de dois quartos. Estamos por isso a contar com esta poupança para manter os nossos custos controlados.

A parcela das despesas com alimentação vem em primeiro lugar. O Couchsurfing acaba por ajudar também a reduzir estes gastos pois muitos dos nossos hóspedes partilham várias refeições connosco ou providenciam o acesso a uma cozinha equipada. Por nossa vez gostamos de contribuir com algo para cada refeição e, se possível, cozinhar algo para eles.

Couchsurfing & cooking

Outra das situações problemáticas para quem está muito tempo em viagem (particularmente com crianças pequenas) é a a lavagem da roupa. Os nossos anfitriões do Couchsurfing frequentemente disponibilizam a sua lavandaria.

Como qualquer opção, não é isenta de aspetos negativos. Há sempre algum risco associado já que nunca sabemos bem em que condições iremos pernoitar. Até agora não temos nada de especialmente significativo a apontar e acho sinceramente que o balanço é muitíssimo positivo.

Graças ao Couchsurfing, o nosso saldo no Canadá ficou dentro do previsto.

Os nossos gastos diários em média para os 13 dias no Canadá incluindo alimentação, bilhete de avião, aluguer automóvel, vacinas, seguro saúde e seguro automóvel, Skyroam, entre outras despesas relacionadas com a preparação da viagem (que estamos a amortizar na duração total estimada) saldou-se em 205€/dia para 5 pessoas.

A todos os nossos anfitriões, pela oportunidade que nos proporcionaram, pelos momentos vividos, pela partilha, uma só palavra: GRATIDÃO.

Esperamos um dia poder retribuir.

Keep calm and make Couchsurfing

 

 

 

 

 

Ottawa – descobrir a cidade capital

Ottawa deixou-nos uma marca permanente.

Tivemos o privilégio de passar uma noite no lago Calabogie – um refúgio para muitos canadianos que deslumbra nos seus tons azul e verde. Durante estes últimos dias vivemos experiências fantásticas: andámos de mota de água pela primeira vez, o pai experimentou ski aquático e até aprendemos a colocar o isco e a lançar a linha. Aprender a pescar foi um dos pontos altos, sem dúvida! Também nos levaram num tranquilo passeio de barco e outras aventuras aquáticas. As crianças não podiam estar mais felizes.

Marta fishing at Calabogie’s Lake

Water Sports at Calabogie’s Lake

É fácil perceber porque chamam ao Canadá o país dos grandes lagos. A água é uma constante na paisagem envolvente. Foi muito interessante perceber a ligação indelével entre a população e a água. Observámos a trasfega e nivelamento dos canais para a passagem dos barcos no Rideau Canal (que no Inverno se transforma no maior circuito de skating no gelo), as estradas para velocípedes que acompanham os cursos de água por milhares de Km (é possível, por exemplo, ir de bicicleta de Ottawa até às Cataratas do Niagara), as praias, as marinas e os inúmeros parques da cidade sempre com um espaço dedicado aos mais pequenos com jatos de água para os refrescar e divertir.

Levámos as crianças numa visita guiada ao Royal Canadian Mint onde aprendemos a fazer moedas e podemos pegar numa (pesada) barra de ouro.

Conhecer Rideau Hall – a residência oficial do Governador do Canadá (que por acaso é uma senhora) foi um momento único. Naqueles jardins extensos repousam séculos de história. Árvores outrora rebentos, são agora troncos frondosos que exibem com orgulho a placa que indica o nome e a data histórica de quem um dia as plantou como símbolo de fraternidade entre dois países.  As crianças ficaram a saber quem foi Nelson Mandela e o que foi o Apartheid. A história do presidente Kennedy deixou-os apreensivos e tristes. Foi uma honra estar naquele local onde se encontram também tributos aos índios e à sua importante herança para esta terra.

Tree planted by JFKennedy at Rideau Hall

Atravessámos a ponte para a província do Quebec e passeámos divertidos pelas esculturas de flores que celebram a natureza no seu esplendor. O Mosaiculture (video) é um festival original e que fez as delícias dos mais pequenos.

Assistimos a um imponente fogo-de-artifício sobre as águas a partir de Parliament Hill seguido de um espetáculo de luzes e cores projetado no próprio edíficio – Northern Lights – que conta a história da formação do Canadá.

Northern Lights at Parliament Hill

Ottawa é uma capital pouco comum. Parece existir uma aura de tranquilidade que se espalha como a água e nos envolve.

Seguro de Viagem, vacinas & outras burocracias

Seguro de Viagem

Uma das maiores dificuldades que tivemos foi encontrar uma solução de seguro adequada ao nosso projeto. A maior parte das opções de seguro de viagem cobrem apenas estadias até 90 dias no máximo. Depois de muito pesquisar optámos pela World Nomads. Para já (e felizmente!), não temos como avaliar a nossa escolha, mas estamos convencidos que foi a melhor.

Vacinas

Foi fundamental marcarmos uma Consulta do Viajante para todos os elementos da família. Somos recebidos por um médico que, com base no nosso itinerário, nos recomenda e prescreve as vacinas necessárias. Contudo, foi muito importante agendar a mesma com cerca de 8 meses de antecedência pois algumas vacinas precisam de mais que uma dose com um intervalo de 6 meses.

Optámos para já, após ponderar os riscos (e devido ao custo elevado – cerca de 800€ para toda a família) por não levar a vacina de Encefalite Japonesa.

A profilaxia da Malária encontrava-se esgotada em Portugal à data da nossa partida pelo que teremos de avaliar quando e onde comprar, até porque não se pode fazer uma toma contínua.

Outras Burocracias

  •  Carta de Condução Internacional: desconhecia que existiam 2 opções! Fizemos os 2 modelos (o Pedro ficou com cobertura para alguns países e eu para outros). Optámos por nos tornar sócios do Automóvel Clube de Portugal (o que nos dá assistência em viagem no estrangeiro e uma série de descontos em entidades parceiras) e assim obtivemos as licenças gratuitamente.
  • Passaportes & Vistos: o nosso Passaporte está entre os melhores do Mundo! Temos acesso privilegiado a praticamente todos os países. Para os nossos destinos iniciais tivemos de fazer o ETA (Canadá) e o ESTA (EUA). Tivemos ainda o cuidado de tirar várias fotos tipo passe para os Visa-on-arrival que venham a ser necessários.
  • Bancos, Taxas & Câmbios: as taxas habitualmente cobradas pelos bancos para transações em moeda estrangeira são exorbitantes! Descobrimos a solução que precisávamos com o Revolut. Percam algum tempo a ler sobre este novo conceito que vale a pena!

 

Passaporte

First Stop: Toronto

Toronto foi a nossa primeira paragem. É uma cidade vibrante e moderna onde a mistura étnica se conjuga com a vida citadina envolta numa paisagem de arranha-céus.

Começámos por conhecer a Riverdale Farm – uma quinta de animais domésticos perto do sítio onde ficámos alojados. Foi uma agradável surpresa que possibilitou o primeiro encontro com os esquilos que correm alegremente em todos os jardins da cidade.

De seguida fizemos uma visita a St.Lawrence’s Market. Partilhámos uma mesa de almoço com duas famílias canadianas com quem falámos imenso e percebemos de imediato que os canadianos são extremamente simpáticos e acolhedores. Até no autocarro ou nas filas de espera brincavam com as nossas crianças e metiam conversa connosco.

Toronto CN Tower & Harbour view

Adorámos passear em Little Portugal e beber um café Delta enquanto assistíamos ao Benfica-Juventus.

Descobrimos por sorte uma rua fechada ao trânsito: Ossington Street. Acertámos em cheio com a OSSFEST 2018! Não faltou animação, música, comida e até um espectáculo de Luta-livre. Os miúdos ficaram fãs e até tiveram direito a uma foto com um dos lutadores!

Apesar de querermos evitar os sítios mais turísticos e pretendermos abraçar a autenticidade dos locais que visitamos, não podíamos deixar de tirar uma foto com a emblemática assinatura da cidade.

Visita obrigatória foi também a Waterfront onde passámos uma tarde relaxada no jardim com o lago Ontario no horizonte e a CN tower a fazer-nos sombra.

Kids at Ontario Lake

Sobrou ainda tempo para aproveitar o mercado de Kensington. Percebemos que é frequente encerrarem o tráfego e dinamizarem o comércio de rua. A população adere de forma massiva a estes eventos que dizem ajudar o pequeno comerciante.  Mais uma vez podemos assistir a espectáculos de rua e deixarmo-nos envolver pelo colorido da diversidade.

Kensington Street Toronto

Antes de partirmos para o próximo destino, alugámos um carro e partimos para as Cataratas do Niágara. Nenhuma visita ao Canadá pode ficar completa sem conhecer esta força da natureza. Não há palavras para descrever a beleza e a imponência desta maravilha natural. O passeio de barco é obrigatório – fomos no Hornblower.

Nós no Hornblower

 

Foi uma experiência inesquecível!

Prontos para a Viagem!

De Malas Aviadas

 

Malas aviadas. 

Durante meses lemos e pesquisámos recomendações de outros viajantes de forma a estruturarmos a nossa check-list de items a levar na bagagem. 

Queríamos reduzir o número de bagagens de porão e levar o máximo de malas com dimensões autorizadas para cabine, vulgo “carry-on”. Contudo, tendo em consideração as diferentes políticas das companhias aéreas em relação a este tema, nem sempre iremos conseguir evitar despachar as malas. 

Obviamente era também importante controlar o peso pois durante os próximos meses vamos andar literalmente com a “casa às costas”. Assim, a aquisição de uma balança portátil foi mandatário. 

Que malas levamos?

Adultos:

Trolley-mochila Roncato (Diana): A mãe optou por um 2 em 1 – um trolley que é simultaneamente uma mochila. Desta forma é possível colocá-la às costas durante as caminhadas em pisos mais irregulares. Nos aeroportos e pisos lisos é só trocar para a versão trolley. Tem dimensões para cabine de avião na Europa, mas temos dúvidas se será aceite nas low cost dos EUA ou Austrália. 

Trolley-mochila Osprey (Pedro): O pai também vai levar uma 2 em 1. Escolhemos a Osprey Sojourn 60L e estamos muito satisfeitos. Tem muito espaço interior, várias bolsas de arrumação e um trolley extremamente resistente. A conversão para mochila é muito prática e as alças são confortáveis e permitem um bom apoio lombar.

Mochila Camel (Diana): nesta mochila levamos material de estudo/entretenimento: 

3 Infinite Books – estes cadernos permitem escrever e apagar infinitamente. Vêm com uma caneta com uma borracha incorporada. São absolutamente fantásticos! As crianças vão poder fazer os exercícios, desenhar, escrever… Peso e espaço mínimo com possibilidades infinitas. Aprovadíssimo. 

Plasticinas, esquadro/compasso/transferidor, lápis de cor Caran d’Ache (os meus favoritos), mandalas

Jogos de tabuleiro: levamos vários tabuleiros de jogos (xadrez, sobe e desce, damas) e um saco cheio de peças  

Mochila Samsonite (Pedro): aqui vai toda a nossa “tecnologia” 

2 tablets

1 MacBook Air

1 Asus

1 Iphone 5

1 Iphone 7

(A Inês tem um telemóvel para ela também)

1 power bank + 1 power bank solar

1 lanterna a pilhas

Skyroam – este aparelho permite supostamente ter Internet em quase todo o lado.

 Crianças:

2 Trunki – estas malas são espetaculares porque são pequenas e fáceis de transportar. As crianças podem sentar-se em cima delas e puxá-las pela “trela”. 

1 mochila (Inês) 

A roupa foi toda empacotada em sacos com fecho (“zipper bags”) de forma a retirar o máximo de ar para uma ocupação mínima de espaço.

Dobrámos toda a roupa em pequenos rolos e identificámos os sacos com a descrição do conteúdo. 

Como não temos gavetas, usamos uma solução fantástica chamada “packing cubes”. Comprei os nossos no Jumbo, mas há uma variedade imensa de modelos.

Outros items importantes:

  • Lençóis-cama (optámos por estes de Polyester da Decathlon)
  • Taças de silicone 
  • Balança para pesar as malas
  • Bolsa de higiene (adoramos as coisas da Reisenthel. Optámos por uma que tem um gancho para se pendurar e bolsas de rede para se ver facilmente o conteúdo)
  • 2 colchões de crianças auto-insufláveis da Decathlon
  • 2 lancheiras tiracolo 
  • 1 garrafa Tupperware + 1 Campingaz 
  • 2 assentos elevatórios para o carro, insufláveis, Bubble bum  (ainda necessários para a Marta e para o Pedro) – são óptimos para levar de férias, para evitar pagar extra pelo aluguer nas rent-a-car
  • Kit primeiros socorros 

Malas & bagagens

A Logística das “Coisas”

A Casa

Não deixou de ser “nossa”, mas passou a ser o lar de uma outra família. 

Optámos por arrendar e com isto garantimos que as nossas despesas fixas (prestações ao banco) ficavam cobertas. 

Deixámos também assim de ter custos com água e eletricidade. 

 

Mobílias, roupas e outros objetos

Demos grande parte das mobílias que tínhamos.

Outras tantas dividimos entre as casas de familiares e amigos. 

Havendo sempre coisas que gostamos de guardar, conseguimos também um espaço num armazém para guardar alguns dos nossos pertences.

(Não obstante da quantidade considerável de tralha com que enchemos a casa dos meus pais!)

É incrível a quantidade de coisas que conseguimos acumular.

Tal como um empréstimo ao banco, as “Coisas” criam-nos raízes.

Tornamo-nos dependentes de objetos. 

De repente sentimos que não vamos conseguir viver sem o fogão ou sem a máquina de lavar roupa. Ou sem a nossa cama! 

Na verdade, o exercício de desprendimento das Coisas foi libertador e conduziu-nos à primeira lição aprendida no âmbito deste nosso projeto:

“The best things in life aren’t things”